SXSW 2018: Highlights do que rolou no festival

19/03/18

Na última semana, em Austin – Texas (EUA), aconteceu o South by Southwest, mais conhecido como SXSW, um dos maiores e mais relevantes eventos de negócios, tendências e tecnologia do mundo.

Separamos aqui para você alguns highlights sobre o que rolou de mais interessante por lá.

#EM PROL DO BEM COMUM: TECNOLOGIA A NOSSO FAVOR

Apresentada por Tim O’Reilly, fundador e CEO da O’Reilly Media, Inc., empresa de mídia especializada em tecnologia e inovação, Tim ressaltou ideias sobre como a evolução da tecnologia impactará diretamente na nossa vida e o quanto somos responsáveis nesse sentido: “estamos fazendo a coisa certa, mas não pelo motivo certo”.

O executivo apontou ainda que a tecnologia já é uma realidade e tem aberto caminhos para a evolução da humanidade. Por exemplo, o trabalho da Amazon, que hoje conta com mais de 45 mil robôs em suas fábricas, os quais trouxeram mais eficiência aos processos manuais substituindo trabalhos humanos repetitivos e braçais.

O interessante é que, ao contrário do que o senso comum acredita, colocar essa quantidade de robôs para “trabalhar” na companhia abriu mais postos de trabalho. Os robôs atuam hoje ao lado de 230 mil funcionários.

Mas afinal, onde está o erro? Ele consistirá em algo que promove o contrário do realizado pela Amazon. O’Reilly comentou sobre um conhecido investidor do Vale do Silício que disse uma vez que estava investindo em uma startup, que tinha como objetivo substituir equipes de call center, reduzindo a força de trabalho em 30%.

Em linhas gerais: a real motivação que devemos adotar para o uso da tecnologia é ganhar cada vez mais eficiência e melhorar a qualidade de vida dos seres humanos.

Keynote: https://schedule.sxsw.com/2018/events/PP97111

#O AMOR EM MEIO A TUDO ISSO: ESTHEL PEREL

A palestra dada pela psicoterapeuta belga Esther Perel, sobre o futuro do amor, luxúria e o escutar o próximo foi um ponto fora da curva dentro da programação, especialmente por conta do tema: relacionamentos pessoais.

Sabemos que, no mundo dos negócios, esse é um fator que pode ser negligenciado em alguns momentos, mas que é de extrema importância. Pontos altos do bate-papo:

  • Relacionamento entre pessoas é um dos assuntos mais relevantes para o ser humano e o futuro da sociedade, mas é um assunto muito pouco debatido. O tópico implica fortemente no nível de felicidade de todos os seres humanos e, exatamente por isso, influencia diretamente no futuro da sociedade como um todo;
  • O grande fator de mudança foi a migração das comunidades (que antes viviam em tribos) para as cidades. A grande conquista do ser humano com essa transição foi a liberdade, algo que antes era inexistente. Mas, hoje, as pessoas estão mais isoladas e sozinhas;
  • Por conta dessa solidão, uma pessoa coloca todas as expectativas no seu parceiro – situação essa que antes era resolvida por diversas pessoas na tribo: a solidão cria expectativa nos relacionamentos íntimos e se torna um fardo muito grande;
  • A procura do casal é um paradoxo entre segurança versus aventura, amor versus paixão. É preciso encontrar o equilíbrio em um relacionamento;
  • Poder x vulnerabilidade: pelo histórico de evolução do ser humano, cabia ao homem o papel do poder, da tomada de decisão, e à mulher cabia a força da sexualidade e isso implicava na sua vulnerabilidade. Hoje, com o empoderamento feminino, não adianta só as mulheres ganharem força, as relações precisam evoluir junto, ou seja, o homem precisa evoluir também sua vulnerabilidade e capacidade de compartilhamento e expressão

De acordo com Esther, “a qualidade dos seus relacionamentos é o que determina a qualidade da sua vida”.

Keynote: https://schedule.sxsw.com/2018/events/PP97078

#INTELIGÊNCIA É O FUTURO

Como a Inteligência Artificial (IA) pode transformar a indústria?

A inteligência artificial não é um assunto novo, mas é um dos que ainda representa uma incógnita. Afinal, essa tecnologia possui um potencial enorme, mas que ainda precisa ser explorado pela indústria. Nesse sentido, os palestrantes Adam Cheyer, da Viv Labs; Daphne Koller, da Calico Labs; Loic Le Meur, da Leade.rs; e Nell Watson, da Singularity University, apontam as aplicações da adoção da IA.

Antes de mais nada, é preciso entender as principais diferenças entre a inteligência artificial e a inteligência humana. Um paralelo interessante sobre esse ponto é o funcionamento do programa Alpha Go, desenvolvido pela DeepMind (uma empresa do grupo Alphabet, detentora da Google).

Por meio da inteligência artificial, foi criado um robô que analisava como um ser humano jogava e errava e, com isso, ele começou a ganhar do humano, porque conseguiu entender sua maneira de pensar e passou a prever seus erros. Em paralelo, o Google criou outro robô, também utilizando IA, mas este último não ganhou qualquer informação humana – ou seja, o programa jogava sozinho e aprendia com os próprios erros. O robô com IA sem input humano ganhou de 100 a 0 do robô com IA que aprendeu com erros humano.

 

#MÚSICA QUE ALCANÇA MILHÕES

Com mais de 300 milhões de álbuns vendidos e uma carreira que abrange mais de 40 anos, Nile Rodgers é um cara que sabe uma coisa ou duas sobre como fazer isso no negócio da música. Ele voltou ao palco do SXSW neste ano para compartilhar sua sabedoria, histórias incríveis e, com esperança, um pouco de sua magia.

Niles começou aos sete anos de idade, tocando flauta, piano e instrumentos de bronze antes de se estabelecer no violão. Isso o ensinou a apreciar trabalhar com os outros a partir do processo criativo, informando seus pontos de vista sobre revolução e resistência. Este espírito de colaboração tornou-se a marca registrada de sua carreira, embora Rodgers seja cuidadoso para chamá-la de chave para seu sucesso. Niles diz que ele não tem uma fórmula mágica específica e a maioria de suas colaborações ocorrem por casualidade.

#O PERIGO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Centenas de pessoas foram ao Moody Theater ouvir Elon Musk responder a perguntas enviadas pelo público. Uma das referências mundiais em inovação, o empresário falou sobre as ameaças da inteligência artificial, a futura chegada da humanidade a Marte (será?) e mobilidade.

  • > Chegada dos humanos a Marte
    De acordo com Musk, no curto prazo, o que precisamos para ir a Marte é construir a nave espacial e há progresso neste sentigo. Uma vez que ela esteja pronta e seja possível levar pessoas para lá e para a Lua, serão necessários recursos financeiros, porque será preciso construir tudo o que permite que a civilização exista. É o caso de estações de energia e células de vidro para plantar comida, por exemplo. Sem isso não sobreviveremos. E será mais difícil fazer isso num local como a Lua ou Marte. Às vezes, brincam que a Lua poderá se tornar uma casa para descanso de ricaços, mas não será assim de maneira nenhuma. Ir à Lua ou a Marte será difícil, perigoso e você terá uma boa chance de acabar morto. Mas haverá uma explosão de empreendedorismo, porque Marte precisará de tudo. Por sinal, Musk diz que o planeta deveria ter ótimos bares. A SpaceX deve começar a fazer voos curtos, de subida e descida, com a aeronave que estamos construindo para ir ao planeta no ano que vem.
  • > SpaceX
    Para Elon Musk, havia apenas 10% de chances de suas empresas SpaceX e Tesla serem bem-sucedidas. Mesmo assim, ele insistiu com a SpaceX, porque enxergava que não havia avanços em mandar as pessoas a Marte ou em montar uma base na Lua.  Ao seguir com essa ideia, Elon se deparou com o preço dos foguetes e concluiu que deveria haver alguma maneira de resolver esse problema. Um dos desafios era fazer os foguetes serem reutilizáveis. A SpaceX foi criada em 2002 e, naquela época, ele não permitiu que seus amigos investissem pois não queria que eles perdessem dinheiro. Preferia perder o próprio. E a SpaceX de fato quase faliu, havia recursos para três voos e os três falharam. Se o quarto lançamento não tivesse dado certo, teria sido o fim da SpaceX.
  • > The Boring Company
    Segundo Musk, a Boring Company começou mais como uma brincadeira, porque era um nome engraçado para uma empresa. Por quatro ou cinco anos, sempre que ele fazia uma apresentação o perguntavam sobre oportunidades de negócios, ele falava em túneis – “por favor, alguém construa túneis”, eu dizia. Depois de cinco anos implorando para as pessoas construírem túneis e nada, pensou: “ok, eu vou construir os túneis” (a Boring Company está desenvolvendo o Hyperloop, um sistema de transporte de alta velocidade operado em túneis). As pessoas costumam gostar da ideia de ter um carro voador, mas vale pensar se realmente seria legal se todos ao nosso lado também tivessem um. Não parece tão bom, certo? Com a Boring Company, Elon gasta apenas uns 2% do seu tempo, embora ela seja o assunto de 20% dos seus tweets, segundo o executivo.
  • > Inteligência artificial
    Elon Musk não teve papas na língua ao dizer que os especialistas em inteligência artificial acham que sabem mais do que sabem.  Para ele, estamos perto de um ponto de virada em IA e isso é muito assustador. Os avanços ocorrem de forma muito veloz e o potencial de evolução é exponencial. Ninguém esperava uma rapidez tão grande ao fazer projeções no passado.

A curva de aprendizado melhora dramaticamente e temos que assegurar que o avanço da inteligência digital seja simbiótico com a humanidade. Musk ainda fala que essa é a maior e mais importante crise existencial pela qual passamos.

O executivo normalmente não é um defensor de regulamentação, mas esse é um caso em há um risco grande para o público. Para ele, deveria haver um órgão responsável por garantir que todos estão desenvolvendo IA de maneira segura. Essa é a coisa mais importante que poderíamos fazer: “Acho que o perigo da IA é muito maior do que o das armas nucleares. E ninguém jamais iria achar normal permitir que as pessoas criassem armas nucleares se quisessem, seria insano.”

#ASSISTENTES DIGITAIS POR VOZ

Na palestra intitulada “Developing for the Age of Digital Assistants“, o Gerente de Produtos de Assistentes Digitais do Google, Brad Adams, apresentou diversas características e componentes que compõem o Google Home (Assistente Digital do Google), desde microfones e softwares capazes de identificar palavras-chave de ativação como “hey, Google”, “hey, Siri” e “Alexa“, até como a inteligência embutida em cada um dos aparelhos para que não seja necessário trafegar dados pela rede para identificar uma ativação.

Outro ponto destacado por Adams foi o DialogFlow, plataforma tecnológica criada pelo Google para suportar as interações homem-computador usando linguagem natural de conversação, que é aplicado no Google Home. Além de apresentar rapidamente a plataforma, Adams lançou o desafio para que novos casos de uso sejam criados, obviamente alavancando assim o uso do assistente digital.

Christopher Ferrel em sua palestra intitulada “I’ve Got No Screens: Internet’s Screenless Future”, apresentou números interessantes: em 2020 cerca de 30% das navegações na web serão feitas “sem tela” (screenless), sendo que somente nos EUA mais de 10 milhões de residências vão possuir um aparelho screenless com um total estimado de 60 milhões de usuários, utilizando desde dash buttonsheadphones, controles com sensor de movimento, assistentes digitais entre outros.

Para Ferrel, a mudança de paradigma deverá acontecer em diversas frentes, entre elas:

– De Mobile First para Voice First (Mobile First -> Voice First)

– De Tela para Auto-falantes  (Screen -> Speakers)

– De Navegação visual para Navegação por áudio (Visual Web -> Audio Web)

– De Cabeça Baixa para Queixo para Cima (Face-down -> Chin-up)

Ainda foram apresentados alguns vídeos e reviews de casos do uso da tecnologia, como o engraçadíssimo vídeo de uma vovó utilizando o Google pela primeira vez, o caso da menina de Dallas que fez o pedido de uma casa de boneca e cookies no valor de US$ 170 usando Alexa e do emocionante depoimento de um filho sobre a assistente de voz ter se tornado a melhor amiga de seu pai (que é cego).

 

Para quem assistiu a palestra fica a certeza da grande contribuição e comodidade que o screenless traz para os usuários, o importante é trabalhar para encontrar a melhor forma de utilizar toda esta tecnologia.

 

#NATURA E O INSTITUTO BANCO TUPINAMBÁ

A Natura realizou um painel em que falou sobre como uma companhia pode ser uma empresa B, ou seja, ter a resolução de problemas socioambientais como compromisso. No entanto, quem se destacou foi uma empreendedora: ela é Ivoneide Vale, uma consultora da Natura que comanda o Institut Banco Tupinambá um banco comunitário que oferece crédito para os moradores da Baía do Sol, um bairro de Belém (PA).

Ivoneide é consultora da Natura há três décadas. O dinheiro que ganhou com os produtos de beleza ajudava a compor a renda familiar. Mas uma insatisfação fez com que ela resolvesse criar um outro projeto. “A Baía do Sol tem cerca de 7 mil moradores. As pessoas no geral até têm condições boas de vida, mas o dinheiro que elas ganhavam não ficava na região e não ajudava no nosso desenvolvimento”, diz.

Em 2009, buscando mudar esse cenário, Ivoneide abriu o Instituto Banco Tupinambá. É um banco comunitário, entidade que tem como objetivo o desenvolvimento de uma região. Para isso, a instituição normalmente cede microcrédito a preços menores e tem uma moeda local, aceita apenas na comunidade do banco, que oferece descontos para quem a usa. No caso do Tupinambá, a moeda se chama moqueio. “Esse era o nome de um técnica que os indígenas usavam para fazer a carne ser conservada por mais tempo. Com o banco, queremos que a nossa comunidade também dure por muito tempo.”

Desde que o Tupinambá foi aberto, já foram concedidos quase 1,4 mil empréstimos com o objetivo de ajudar a comunidade a abrir e ampliar seus negócios. No total, foram dados R$ 1,5 milhão em benefícios para moradores da Baía do Sol.

Além da “banqueira cooperativa”, participaram da conversa Andrea Alvares, vice-presidente de marketing e inovação da Natura; Khalea Underwood, da Refinery 29, produtora de conteúdo focada em mulheres jovens; e Kim Coupounas, diretora do B Lab, entidade que certifica empresas B em todo o mundo.

 

Além destes highlights, muitos outros assuntos foram discutidos e apresentados nos 10 dias do evento.

Confira tudo aqui: https://www.sxsw.com/

Informações encontradas nos sites: Okay Player, Uol, Época Negócios, HSM e Squidit.

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