Hotéis, OTAs, Airbnb e o futuro da distribuição

 Hotéis, OTAs, Airbnb e o futuro da distribuição

Quando o Airbnb foi lançado, com um colchão de ar no chão de um apartamento em São Francisco em junho de 2012, seu público-alvo era o cliente que buscava preço. Alguns poderiam argumentar que o “cartaz da economia compartilhada” havia redefinido as viagens econômicas. No entanto, com apartamentos de luxo em Nova York (agora em oferta!) por mais de £ 3.000 a diária, mostram o quão rapidamente isso mudou – e, juntamente o comportamento do cliente. Mas um número significativo de clientes que buscam preços ainda estão olhando para o Airbnb para suprir suas necessidades de alojamento.
Isso, argumenta Bill Beckler, co-fundador da AlltheRooms.com, um motor de busca que combina sites de hotéis com Airbnb, Hotwire, Groupon, Couchsurfing,  explica por que um número significativo de hostels, estão usando o Airbnb como plataforma para promover sua oferta.
E não que o Airbnb esteja fazendo um trabalho melhor em promover hostels do que outras empresas especializadas nesse tipo de hospedagem. Na verdade, o Airbnb fez pouco, se alguma coisa, para recrutar albergues ou adaptar a plataforma para atender às suas necessidades. Não há, por exemplo, nenhuma facilidade para gerenciar e flexibilizar apartamentos em viagens em grupo, o que seria útil para o modelo de albergue.
Mas, mesmo assim, os hostels estão migrando em massa para o Airbnb, porque simplesmente eles sabem que se este é o lugar onde seus clientes estão, então este é o lugar para onde eles têm de ir.
Beckler, ex-diretor de Inovação da lastminute.com, vê essa “presença de hostels no Airbnb como o prenúncio do futuro da distribuição”.
Pode haver poucas dúvidas de que o futuro da distribuição esteja realmente mudando – o resultado da colisão de duas ondas de mudança de comportamento do cliente e de intervenção regulatória. Recentemente, o Airbnb perdeu uma batalha contra a legislatura de New York, que reivindica que a plataforma é ilegal. A empresa tentou obstruir a aplicação da lei e muitos anfitriões permanecem usando a plataforma. Estes são tempos turbulentos.
Se o Airbnb corre com a oportunidade de se tornar uma OTA reconhecida e trazer hotéis e outros provedores de hospedagem legalmente para si (algo que tem consistentemente dito que não vai fazer), resta esperar. Mas Beckler acredita que quanto mais cedo os hoteleiros reconhecerem que um cliente pode comprar mais de um conceito, mais bem-sucedido serão.
“É por isso que hostels e apartamentos do Airbnb são considerados intercambiáveis por um cliente. E se há um cliente no mercado para um apartamento de negócios gerenciado e para um hotel de negócios, então o hotel de negócios pode também administrar todos esses apartamentos também, ao invés de vê-los como concorrência”, diz ele.
Essa atitude ‘se você não pode vencer, junte-se a ele’ é a estrada que a Expedia pretende percorrer. Embora a sua linha de relações públicas seja, em termos gerais, “estamos inteiramente concentrados no viajante”, também está avançando fortemente com a sua estratégia de parceria. É claro que isso é em resposta às crescentes concorrência e pressão regulatória, o que está forçando as OTAs a repensarem, entre outras coisas, as comissões de hotéis – especialmente à luz da estratégia de member rates das grandes redes.
Cyril Ranque, Presidente da Lodging Partner Services, do grupo Expedia, disse que houve uma “mudança de pensamento” que ainda está em curso em um dos maiores players de viagens on-line, “de ser uma plataforma de distribuição pura para ser parceiro e facilitador para o consumidor de viagens e toda a indústria”.
Ele até imaginou um futuro de compartilhamento de dados com parceiros, onde todos ganham e as comissões caem mais do que têm caído.

O fator Airbnb

Naturalmente, não é o Airbnb sozinho que está levando os players como a Expedia para o seu jogo, mas não pode haver dúvida de que a sua enorme popularidade com os viajantes tem impactado a indústria de diversas maneiras. A companhia certamente sentiu um impacto sobre hospedagens de férias e Beckler argumenta que podemos esperar uma mistura crescente de seu inventário sendo integrado a resorts.
“O que o Airbnb fez foi tornar o continuum entre as propriedades individuais e os hotéis mais viável, previsível e passível de investimento. Criou uma alta demanda por pequenos tipos menores de propriedades e ajudou a conectá-las em um único ecossistema, criando, assim, a oportunidade de formas inovadoras de financiar a construção de novos hotéis “, diz Beckler.
Assim, com uma comunidade repaginada de resorts, novos hotéis podem ser construídos com a vantagem de todas as facilidades que vão com eles no centro do desenvolvimento. Mas, ao mesmo tempo, unidades que são como aluguel de férias podem ser vendidas a especuladores – aka Airbnb super-hosts – ou até mesmo para as pessoas que desejam viver perto de um resort em tempo integral.
Beckler diz: “O que isso significa é que você pode criar um projeto de construção inteira e financiá-lo com muito menos risco, porque estas unidades de aluguel de férias também podem ser usadas como garantia para todo o complexo”.

A ascensão da hospedagem urbana e dos serviços gerenciados

Não é apenas o desenvolvimento de resorts que está sentindo a mudança. Utpal Kaul, head global de parcerias em tecnologia na empresa BookingPal, argumenta que certamente podemos esperar para ver empresas de gestão hoteleira e franqueadores como Marriott, Hilton et al emprestarem seus conhecimentos na gestão de operações do dia a dia como on-demand ou outros serviços como distribuição para qualquer tipo de estabelecimento de hospedagem.
E, por que não?, pergunta Beckler. Porque a Hilton, por exemplo, não quereria controlar uma rede de férias como uma extensão do seu inventário atual?
Prova dessa movimentação de mercado é a aquisição, pela Accor, da OneFineStay, um agregador de casas luxuosas para hospedagens a curto prazo. E mais desse tipo de consolidação é esperado.
Enquanto isso, do outro lado estão empresas como a Bemate, que gerencia apartamentos com city mate” para receber, atender, organizar serviços de limpeza, transfers, restaurantes e muito mais.
Sobre este ponto, Beckler salienta que há uma simbiose clara entre o mundo da hotelaria e o mundo dos aluguéis para férias. E, embora os hotéis possam ser melhores em distribuição ou marketing, eles são bem versados nas habilidades de hospitalidade, de gerenciar pessoas, mantendo-as inspiradas a criar os momentos necessários de alegria. Esta é uma das grandes lacunas que a ascensão dos serviços gerenciados recentemente destacou.

A palavra hotel está cada vez mais sendo referida a hospedagem

Assim, na visão de Kaul, “a palavra hotel é cada vez mais sendo referida a hospedagem”, já que “acomodações alternativas” tem se tornado mais comuns e a linha que separa os dois torna-se “cada vez menos delimitada”.
Análises preditivas e big data também estão desempenhando um papel em sem precedentes ao conectar os viajantes a estabelecimentos de hospedagem que melhor se adaptam às suas necessidades, algo que Expedia leva a sério com o lançamento do Usability Lab em Londres – já tendo um em Seattle e com planos para um em Cingapura em breve.
Scott Crawford, vice-presidente de gerenciamento de produtos, afirmou que “viajar é um problema de tecnologia e tudo o que fazemos parte de uma simples pergunta: que problema do cliente estamos tentando resolver?” É uma questão muito complexa a ser resolvida, mas o objetivo é dar aos usuários um conjunto de resultados de pesquisa gerenciável e relevante, com base em um número de fatores, incluindo duração da estadia, antecedência da chegada, números de pessoas, destino e assim por diante.
Voltando à questão dos hostels, Beckler ressalta que o Airbnb foi capaz de absorver esse segmento sem fazer mudanças em sua plataforma. Chame-o de gênio, chame-o de “sorte de principiante”, porém poucos contestarão esta história do sucesso da indústria.
Mas os tempos estão mudando e os vencedores nesse cenário competitivo serão aqueles que são capazes de, em primeiro lugar, encantar os hóspedes, mas, talvez, também os seus parceiros, cada qual em seu momento.
O que possivelmente explica por que, como disse Morrison, a Expedia vai “pensar um pouco mais sobre recursos que tornam as viagens mais fáceis” e um pouco menos sobre a expansão dos pontos de venda e o crescimento da aquisição.
Texto original: Eye For Travel
 
 
 
 
 
 

douglasgarcia96

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