Sergio Amado, Country Manager do Grupo WPP no Brasil

 Sergio Amado, Country Manager do Grupo WPP no Brasil

No dia 31 de janeiro deste ano, Sergio Amado foi nomeado oficialmente como country manager do Grupo WPP no Brasil, depois de 21 anos como o principal executivo da Ogilvy. O modelo é inédito no País, onde o grupo fatura cerca de US$ 500 milhões e tem quase sete mil colaboradores. Com sede alocada no prédio ocupado pela Y&R, com Amado trabalhará mais dez pessoas. Uma das funções do executivo é consolidar e expandir a marca WPP no Brasil. Mas, a principal função é promover sinergia e integração das marcas que compõem o grupo com o objetivo de fazer entregas únicas para o cliente.

Entre as 56 empresas do Grupo WPP, que é a maior companhia publicitária do Brasil e do mundo, estão a Y&R, Ogilvy, J.Walter Thompson, Grey, David, Fbiz, Kantar Ibope Media, Wunderman, Mirum, VML, Mutato, Geometry, AKQA, Burson-Marsteller, Ideal H+K Strategies e Máquina Cohn & Wolfe.

No final de fevereiro deste ano, o WPP anunciou a fusão das agências Burson-Marsteller e Cohn & Wolfe em nível global. A nova agência de PR passa a ser chamada de Burson Cohn & Wolfe e ficará sob o comando de Donna Imperato, que era CEO da Cohn & Wolfe.

O modelo de gestão baseado em country managers, recém-adotado pelo WPP global, pretende fazer com que as agências e demais empresas do grupo operem de forma articulada e colaborativa. Na primeira entrevista concedida a um veículo da imprensa no cargo, Amado se define como um facilitador entre as 56 empresas. E afirma que as aquisições continuarão.

QUEBRA DE TRADIÇÃO

O Grupo está fazendo isso em alguns países do mundo. Nos países mais relevantes para o Grupo WPP, foi criada essa posição de country manager. É um orientador, não interfere nas operações de ninguém, ele ouve, ele fala, aconselha, abre portas, promove aquisições, se for necessário. Estabelece conjunto de estratégias, mostra para o grupo — as 56 empresas no Brasil — quem nós somos. Minha missão é que cada uma dessas empresas conheça todas as empresas. A troca de sinergia, de informação, de trabalho, quebra uma tradição que foi criada anos atrás de que as agências deveriam ser inimigas umas das outras. Nós somos competidores, mas somos do mesmo grupo e temos que atuar em benefício do Grupo WPP. Esse é o sentido do que pode ser a orientação. Nós não somos amiguinhos, e sim competidores, que competem até, talvez, pelas mesmas contas, mas sem o espírito do inimigo. Nossos inimigos estão fora do grupo. É com eles que temos que disputar. Aqui, temos que ter esse tipo de colaboração, de participação, conhecer todos os recursos do grupo, usar esses recursos para ganhar concorrências, para mostrar aos clientes que temos empresas como de data intelligence e de como essa empresa pode servir ao cliente.

VALOR DAS MARCAS

WPP é uma marca valiosa. Mas as marcas das agências também são. Então, o que tem de ser feito? É proteger todas. O WPP funciona como se fosse uma tropa de choque abrindo caminho para as agências. Algumas marcas nossas já assinam “A WPP Company”. A Fbiz e a Foster, por exemplo, já assinam como WPP Company. Essas 56 empresas existem porque o mercado é grande. Porque queremos concorrer. Porque, se tivermos duas ou três empresas, não somos nada. E vamos querer mais empresas. O objetivo nosso é crescer organicamente e através de aquisições.

PILARES DO MODELO

Os dois pilares desse novo modelo são os líderes de clientes e os diretores nacionais e regionais e isso significa que as grandes marcas deverão ter um único líder, ou um time, formado por todas as empresas que servem a esse grupo para que tenham certeza absoluta que estamos entregando tudo o que precisam. Esse é o conceito do modelo. O time está montado. Pronto!

FUNÇÃO DO CARGO

Country manager é um facilitador. Não um complicador. Não precisamos de mais um complicador. Sou um facilitador, nada mais do que isso. Tanto é que até hoje não dei nenhuma entrevista para mais ninguém sobre esse tema. Estou falando para você, com essas poucas palavras, sem nenhuma palavra desnecessária, como se o country manager tivesse uma suma importância. Não tem. Quem tem importância são os heads, os CEOs e presidentes das campanhas que estão tocando no Brasil. E o country manager é aquele cara que diz: “Estou aqui. Quer um conselho? Está com algum problema?”. Isso se chama facilitador. Sou um especialista em novos negócios.

CENÁRIO ECONÔMICO

O Brasil está numa situação terrível. Descemos a ladeira e chegamos ao fundo do poço. Um desastre completo de governança. O governo conseguiu arrumar mais ou menos. As reformas fundamentais não saíram. Saiu a reforma educacional, uma reforma trabalhista meia boca, mas a reforma da previdência, que era fundamental, não saiu. Pode ser que saia até setembro, enfim. Mas, o que tem de positivo até agora? Começamos a subir o poço. Estive no Fórum Econômico Mundial em São Paulo (que aconteceu no dia 13) e todos os economistas e participantes presentes apontam o Brasil com a economia em crescimento para 3% este ano e 4% para 2019. É muito pouco para gerar a quantidade de empregos necessários e recuperar o que perdemos. Mas, diante de 3%, 4% para zero… Tudo isso terá impacto porque os produtores voltarão a anunciar. Os consumidores já estão voltando a comprar no nível de três, quatro anos atrás. Os pais já estão pensando em colocar os filhos em escolas privadas, trocando de carro, voltando a comprar Coca-Cola em vez de tubaína. Isso são indicativos de consumo que dizem que algo está mudando. E quando isso começa a mexer, a roda começa a girar, que é a roda da produção e da venda.

douglasgarcia96

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