O potencial do Airbnb em se transformar em um parceiro de distribuição

 O potencial do Airbnb em se transformar em um parceiro de distribuição

O crescimento da Airbnb tem sido explosivo. De acordo com um recente artigo do Wall Street Journal, a empresa gerou U$ 340 milhões de receita no terceiro trimestre de 2015 e totalizando U$ 2,2 bilhões em reservas. O número de noites reservadas dobrou de 11,3 milhões no terceiro trimestre de 2014 para 23,8 milhões em 2015.
Desde que o Airbnb se tornou uma presença dominante na economia de compartilhamento, muitos na indústria hoteleira têm lutado com a possibilidade de combatê-lo ou fazer parte dele.
Como uma indústria, é difícil esquecer o que aconteceu depois de 9/11. Aquela foi uma época que estávamos lutando pela sobrevivência e começamos a desgraçar a nós mesmos, dando mais e mais inventário para as OTAs e concordando com comissões cada vez mais altas. Ao “alimentar a besta”, criamos um enorme problema para a indústria.
A demanda incremental impulsionada pelas OTAs sempre foi pequena e esses intermediários gastam grande parte do seu dinheiro em marketing. O efeito disso é ter a mesma quantidade de negócios fechados, mas seguir aumentando drasticamente nossas despesas de comissão. E com as suas receitas adicionais, as OTAs podem investir ainda mais em marketing e em tecnologia de ponta. Agora elas estão em posição de abocanhar, e estão abocanhando, uma fatia ainda maior da nossa receita, aumentando ainda mais os custos das nossas comissões.
“Nossa indústria está comemorando o melhor ano em relação a ocupação e taxa média. Agora, imagine se nós não tivéssemos de pagar às OTAs o quão mais rentável seria. Não é de se admirar ouvirmos, em conferências da indústria, hoteleiros lamentarem e com raiva salientarem que, se a indústria não der nenhum inventário para as OTAs, estaria fora do negócio.”
E, enquanto alguns CEOs de grandes marcas têm descontado o impacto do Airbnb, eu acredito que devemos considerar o porquê de ele ser valorizado por sofisticados investidores e o fato de sua marca valer mais do que a de Choice Hotels, Wyndham ou Hyatt. Na verdade, na última rodada de financiamento, o Airbnb foi avaliado como sendo o equivalente à marca Hilton. Qual fluxo de receita esses investidores estão considerando para o Airbnb?
Com tráfego e inventário invejáveis, o Airbnb tem rivalizado com as maiores OTAs, alguns argumentam que fazer uma parceria com a empresa forneceria aos hotéis uma alternativa frente a algumas das principais OTAs. Na verdade, o Airbnb visa cada vez mais hotéis independentes para aparecer em suas listas.
Eu tenho ouvido alguns profissionais da indústria dizerem que este é um caso em que se você não pode vencê-los, deve juntar-se a eles. Se já estamos trabalhando com OTAs, por que não com o Airbnb? Existe uma vantagem inédita de se juntar ao Airbnb? Enquanto as OTAs gerarem negócios, a hotelaria não deve subestimar o efeito de canibalização.
Certamente, cada hotel deve observar que quanto mais reservas recebemos de OTAs, mais clientes que costumavam reservar diretamente conosco estão fazendo por meios das agências online. Essa canibalização vai ter fim? De acordo com a PhoCusWright, a participação das OTAs nos negócios aumentou de 1,7% em 2000 para 17,7% em 2015. Temos de ponderar o tamanho que esse share alcançará em cinco anos. A essa taxa de crescimento, o negócio ainda será rentável?
À medida que considerarmos a possibilidade de trabalhar com o Airbnb, devemos estar atentos, pois a história geralmente se repete.
Sobre o autor
David Kong é presidente e CEO da Best Western Hotels & Resorts desde 2004. A empresa tem cerca de 4.200 hotéis em mais de 110 países com faturamento anual superiores a US $ 6 bilhões.

douglasgarcia96

Deixe uma resposta

Se inscreva para receber nossas novidades.
%d blogueiros gostam disto: