O que aprendemos sobre o futuro no SXSW

22/03/17

O South by Southwest 2017 rendeu muitos insights para o mercado. Difícil foi escolher entre assistir tantos painéis que aconteciam ao mesmo tempo e as inúmeras atrações abordando cultura, design e inovação. Nosso correspondente Victor Rodrigues trouxe as maiores lições do evento sobre o futuro para compartilhar conosco. Vamos lá?

 

O protagonista sou eu

Todos os setores estão sendo impactados pelo posicionamento online de seus respectivos públicos. A própria indústria da moda já entendeu que quem está no controle das tendências é o consumidor. Está surgindo também um novo tipo de narrativa dentro da criação de conteúdo, tornando desde o storytelling de jogos até documentários imersivos em primeira pessoa focados no ser humano. Essa transformação promete ser o novo marco depois do cinema 3D.

Desde as séries da Netflix, criadas a partir de dados coletados a partir dos interesses dos usuários às campanhas criadas a partir das manifestações online de clientes, o mercado já não tem dúvida que o cliente é protagonista, roteirista e diretor de cada aspecto do que consome. E com consumidores empoderados, não existe espaço para imposição.

 

O futuro é humano

Muito se falou em inteligência artificial e sistemas cognitivos como o Watson (sistema cognitivo que entende expressões humanas, sejam elas textuais, verbais ou visuais) como fatores que trariam demissões em massa ao redor do mundo. Os robôs de room service já são uma realidade e estão tornando o serviço mais rápido e eficiente nos grandes hotéis. É verdade que a capacidade cognitiva das máquinas chegou a um nível impressionante, mas as sutilezas que nos fazem humanos não são passíveis de reprodução artificial.

Quem estava com medo de que as máquinas tomassem os postos de trabalho e dominassem o mundo pode ficar tranquilo. A verdade é que o trabalho braçal e mecânico dará lugar a novas ocupações criativas e cada vez mais humanas num futuro mais próximo do que você imagina. Tenha em conta que 50% das profissões que existirão nos próximos 5 anos ainda nem sequer foram inventadas. O espaço dos humanos, cuja expectativa e qualidade de vida não para de crescer, será muito mais voltado a manutenção da qualidade de vida e atividades criativas.

 

A força da diversidade

O Brasil foi muito bem representado pela Avon, cliente da Pmweb, em sua participação no painel de marcas & diversidade. Embora a realidade brasileira seja a mais mortal do mundo para a população LGBTQ+, Rafaela Gobara mostrou o quanto as atitudes afirmativas da Avon estão criando visibilidade.

Pensando em como poderiam representar melhor o seu público brasileiro nas comunicações, a abordagem autêntica da marca agregou valor pela causa social defendida e alcançou números expressivos sem usar mídia tradicional. O engajamento gerado foi sem precedentes, dando voz a milhares de pessoas e provocando reflexões sobre o tema enquanto vendia mais do que nunca. Tudo isso sem focar a comunicação em produtos.

 

Enjoy the ride

O foco do design está mudando e abrindo espaço para uma interação focada no humano, guiada pelas emoções. Yu-kai Chon, especialista em gamification, deu uma palestra sobre seu método Octalysis e sua ruptura com a ideia do design atrelado à função e linha de produção. A abordagem propõe que todo o processo, do desenvolvimento à experiência, seja focado em motivação.

Ao invés de apertar botões ou preencher um formulário de forma mecânica para chegar a um objetivo final, o usuário interage com a plataforma de forma lúdica e se diverte no processo. O consumidor millennial busca satisfação durante toda a experiência e  não quer passar por um processo cansativo e burocrático para ter sua recompensa.

 

Vamos longe e vamos juntos

Para inovar no mundo conectado em que vivemos, precisamos combinar forças. Entre parques tecnológicos, coworking, centros de inovação e hackathons (que atraem estudantes), as marcas que compartilham de uma visão e se identificam com os mesmos valores estão se unindo enquanto parceiros estratégicos para ir mais longe.

Em recente parceria entre Google e Levi’s foi lançada a Jacquard, uma jaqueta para ciclistas baseada no princípio IoT (internet das coisas, em tradução livre). Dois negócios aparentemente desconexos foram capazes de, juntos, criar um wearable de U$ 350 extremamente sensível, baseado em um tecido especial desenvolvido pela Google para obedecer comandos ao toque, como ler mensagens, dar play/pause e outras funções. Essa parceria prova que, trabalhando juntos, ideias inovadoras e disruptivas tem mais chance de florescer. E isso é só o começo.

 

Apesar de todos estes insights, a mensagem unânime que extraímos do evento é que nada é imutável e precisamos estar preparados para nos reinventar todos os dias. O futuro é dos inquietos e a zona de conforto não é mais um luxo, e sim um obstáculo entre a sua empresa e a liderança de mercado. O SXSW não é  um oráculo, mas uma oportunidade para despertar o espírito de inovação que habita em você. Aproveite 2017 para colocar suas ideias em ação e ver mais longe sobre os ombros de gigantes.